A esporotricose por Sporothrix brasiliensis assumiu proporções alarmantes nos últimos anos, com ampla expansão geográfica no Brasil e países vizinhos. Incluída na lista de doenças tropicais negligenciadas da OMS, o caráter emergente dessa micose está associado ao seu contexto zoonótico, sendo o gato o principal transmissor do fungo para humanos e outros animais. Características etológicas dos felinos, associadas a falta de políticas públicas, a dificuldade diagnóstica e a escassez de opções terapêuticas para o controle da doença contribuem para o agravamento da situação epidemiológica. Considerando que o ambiente é o habitat natural dos fungos do gênero Sporothrix, e que a esporotricose humana e animal impactam na saúde pública, é imprescindível que as ações de enfrentamento sejam embasadas no contexto de Saúde Única para uma maior resolutividade.
A partir dessa visão o presente projeto guarda-chuva foi construído, tendo como objetivos pesquisar e desenvolver novos métodos diagnósticos e de tratamento da esporotricose humana e animal por S. brasiliensis, caracterizar os genótipos circulantes do fungo e seu perfil de virulência e de suscetibilidade antifúngica, bem como contribuir para uma melhor compreensão do papel do ambiente na interface homem-animal-ecossistema, e fomentar a vigilância e a promoção da saúde. Para isso, a proposta é dividida em ao menos cinco frentes (subprojetos) de estudo, sendo elas:
1) Melhoria diagnóstica: avaliação, desenvolvimento e comparação de técnicas moleculares, sorológicas e clássicas;
2) Avaliação ambiental e de pescados como fonte de infecção: estudos clássicos e de metagenômica;
3) Epidemiologia molecular e avaliação dos distintos genótipos circulantes no RS e comparação com cenário nacional;
4) vigilância de perfil de suscetibilidade a antifúngicos e de fatores de virulência de isolados de S. brasiliensis e sua correlação com os distintos genótipos;
5) Inovação em tratamento: estudos pré-clínicos com enfoque em compostos orgânicos de selênio e em fármacos de reposicionamento, avaliação da atividade anti-virulência, e ensaio in vivo para tratamento da esporotricose experimental em modelo murino; e
6) Estratégias de vigilância epidemiológica e promoção da saúde relacionadas a esporotricose: estudo de georreferenciamento dos casos e projeção do impacto para a saúde pública no RS, e ações de promoção da saúde para os distintos atores da sociedade, incluindo comunidades locais (população em geral e estudantes do ensino básico) e profissionais da saúde.
Pretende-se contribuir para o avanço do conhecimento técnico-científico no que tange os três pilares da saúde única a partir de ações colaborativas intersetoriais, promovendo melhoria assistencial ao paciente com esporotricose e melhoria a saúde coletiva; gerar dados e publicações que sirvam de subsídios para vigilância em saúde e para políticas públicas de saúde no enfrentamento do atual cenário da doença no país; promover a saúde e gerar produtos com potencial de aplicação ao SUS, fomentar a formação de recursos humanos, promover o empoderamento dos atores da sociedade para ações de cidadania no enfrentamento da doença, e contribuir para uma melhor compreensão da ecoepidemiologia de espécies patogênicas de Sporothrix spp. e do papel do ambiente na interface humano-animal-ecossistema aplicada a esporotricose.
























